sábado, 27 de junho de 2009

Por PINTÃO

Eu pertenci ao GUDR (Grupo Universitário de Danças Regionais), quando foi presidente o Álvaro Laborinho.

Em virtude de crise académica, aquele organismo extinguiu-se em 1964.

Em 1965 fui contactado pelo José Manuel Matos Pereira , então pertencendo à direcção da Tuna Académica, convidando-me para organizar uma secção de danças regionais naquele organismo académico

Devido à minha paixão pelo folclore nacional acedi e comecei a fazer contactos. Só consegui, contudo, organizar o grupo do Minho, danças para as quais me sentia capacitado de ensaiar, visto que eram aquelas que dançava no GUDR. Não consegui convencer, nem o Leão, nem a Zaida, para ensaiarem a Nazaré e a Beira.

A Direcção da Tuna concordou que se devia começar a secção de danças só com o Minho e depois, viriam as outras regiões.

E assim começou a secção de danças regionais da Tuna académica. Corria o ano de 1966.

No velho café Tropical (que muita saudade me traz), “à hora da bica”, eu e o Matos Pereira decidimos criar um organismo académico dedicado ao estudo da Etnografia e Folclore do nosso país. E foi nesse encontro que se começou por dar o nome ao futuro organismo – GEFAC.

Estávamos em 1966

Eu fiquei responsável pela estruturação artística e o Matos Pereira pela organização administrativa, incluindo a elaboração dos estatutos do futuro organismo. Iniciámos de imediato os nossos trabalhos e contactei o Manuel Leão e a Zaida, também antigos elementos do GUDR, mas só aquela última manifestou disponibilidade para se responsabilizar para as danças das regiões da Nazaré e Beira. A região do Minho ficou a meu cargo. O Manuel Leão ingressou mais tarde, tornando-se num elemento de grande valia.

Assim arrancou o GEFAC com o objectivo de estudar a Etnografia e o Folclore daquelas três regiões. (sendo de salientar que praticamente a totalidade dos elementos que pertenciam à Tuna transitaram para o novo organismo.

1ª DIRECÇÃO DO GEFAC

José António da Silva Afonso

José Manuel Pintão Moreno Antunes

Manuel Artur Gaspar Barbosa Leão

Maria de Fátima da Silva Monteiro Saraiva

Maria Helena Lima Leite

Maria Madalena da Rocha Gouveia

Rui Manuel Teixeira Jorge

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

Eduarda Abílio Lomba Correia Guedes

José Manuel Miranda de Oliveira

Maria Helena Fernandes da Silva Remelhe

CONSELHO FISCAL

José Manuel Matos Pereira

Maria Filomena Delgado

Zaida Moreira dos Santos Chieira

CONSELHO ARTÍSTICO

José Manuel Pintão Moreno Antunes

José Manuel Miranda de Oliveira

Zaida Moreira dos Santos Chieira


ACONTECIMENTOS

Viagem a Castelo Branco após Abril 1969 (em plena crise)

No fim do espectáculo houve distribuição de panfletos relacionados com a crise Académica. A PIDE invadiu os bastidores e o nosso autocarro procurando mais material…Era então presidente o Rui Jorge.

Num dos Saraus de Gala da Queima das Fitas, onde o nosso Grupo sempre estava presente, a exibição das danças do Minho foi efusivamente aplaudida pela assistência, sobretudo masculina, instalada nas primeiras filas, sentados no chão e no próprio palco.

Ficámos todos orgulhosos, mas qual não foi a desilusão quando fomos informados que o reforço dos aplausos das referidas filas eram dirigidas a uma das nossas dançadeirasque por esquecimento não vestira os “coullotes” (julgo ser assim que se chama).

É que naquela altura ver as cuequinhas a uma rapariga era FOGO!!!

Numa deslocação ao Algarve, para realizar alguns espectáculos, fomos instalados no Hotel Balaia.

No primeiro jantar e em virtude de sermos “doutores” de Coimbra , receberam-nos com toda a pompa e circunstância e o nosso primeiro jantar foi no Salão Principal do Hotel. Mas, o alrido, a irreverência e alguma pouca vergonha foi tanta, que nas refeições seguintes fomos instalados na sala dos pequenos almoços.

O que mais me ficou na memória foi a história do Coktail de marisco, de entrada, onde a figura destabilizadora foi o Monteverde que perguntava em voz alta se aquilo era para comer ou para beber.

Alguém mais se poderá lembrar de outros pormenores daquele jantar.

Será fácil imaginar a cara dos turistas presentes, a maioria “Velhotes” e estrangeiros.

Recordo também com saudade os ensaios do começo de ano, onde para ensinar os primeiros passos àqueles com menos jeito para a dança, servíamo-nos daquele “bico, bico-chão!!!”

É possível que nos nossos espectáculos tenham ocorridomuitos acontecimentos hilariantes, sobretudo na representação do “exame do meu menino” onde eu e o Pais Borges fazíamos de meninos e a Celeste, uma avó muito surda (conveniente para a piada política)

José Manuel Pintão Moreno Antunes

Médico no Hospital de Elvas

2003

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro amigo Pintão,

Fiquei surpreso quando vi o teu blogue. Claro que não te deverás lembrar de mim. Também, fiz parte da equipa que se deslocou a castelo Branco, era caloiro na altura e tocava acordeão na tocata com o Normando. Sou o fernando Costa e, inclusivamente, cheguei a pertencer a uma direcção do GEFAC. Bons momentos e boas amizades que fizemos. Quero deixar um abraço eterno. Que pode ser extensivo a todos aqueles que encontrares desse tempo.
Fernando Costa