Eu pertenci ao GUDR (Grupo Universitário de Danças Regionais), quando foi presidente o Álvaro Laborinho.
Em virtude de crise académica, aquele organismo extinguiu-se em 1964.
Em 1965 fui contactado pelo José Manuel Matos Pereira , então pertencendo à direcção da Tuna Académica, convidando-me para organizar uma secção de danças regionais naquele organismo académico
Devido à minha paixão pelo folclore nacional acedi e comecei a fazer contactos. Só consegui, contudo, organizar o grupo do Minho, danças para as quais me sentia capacitado de ensaiar, visto que eram aquelas que dançava no GUDR. Não consegui convencer, nem o Leão, nem a Zaida, para ensaiarem a Nazaré e a Beira.
A Direcção da Tuna concordou que se devia começar a secção de danças só com o Minho e depois, viriam as outras regiões.
E assim começou a secção de danças regionais da Tuna académica. Corria o ano de 1966.
No velho café Tropical (que muita saudade me traz), “à hora da bica”, eu e o Matos Pereira decidimos criar um organismo académico dedicado ao estudo da Etnografia e Folclore do nosso país. E foi nesse encontro que se começou por dar o nome ao futuro organismo – GEFAC.
Estávamos em 1966
Eu fiquei responsável pela estruturação artística e o Matos Pereira pela organização administrativa, incluindo a elaboração dos estatutos do futuro organismo. Iniciámos de imediato os nossos trabalhos e contactei o Manuel Leão e a Zaida, também antigos elementos do GUDR, mas só aquela última manifestou disponibilidade para se responsabilizar para as danças das regiões da Nazaré e Beira. A região do Minho ficou a meu cargo. O Manuel Leão ingressou mais tarde, tornando-se num elemento de grande valia.
Assim arrancou o GEFAC com o objectivo de estudar a Etnografia e o Folclore daquelas três regiões. (sendo de salientar que praticamente a totalidade dos elementos que pertenciam à Tuna transitaram para o novo organismo.
1ª DIRECÇÃO DO GEFAC
José António da Silva Afonso
José Manuel Pintão Moreno Antunes
Manuel Artur Gaspar Barbosa Leão
Maria de Fátima da Silva Monteiro Saraiva
Maria Helena Lima Leite
Maria Madalena da Rocha Gouveia
Rui Manuel Teixeira Jorge
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Eduarda Abílio Lomba Correia Guedes
José Manuel Miranda de Oliveira
Maria Helena Fernandes da Silva Remelhe
CONSELHO FISCAL
José Manuel Matos Pereira
Maria Filomena Delgado
Zaida Moreira dos Santos Chieira
CONSELHO ARTÍSTICO
José Manuel Pintão Moreno Antunes
José Manuel Miranda de Oliveira
Zaida Moreira dos Santos Chieira
ACONTECIMENTOS
Viagem a Castelo Branco após Abril 1969 (em plena crise)
No fim do espectáculo houve distribuição de panfletos relacionados com a crise Académica. A PIDE invadiu os bastidores e o nosso autocarro procurando mais material…Era então presidente o Rui Jorge.
Num dos Saraus de Gala da Queima das Fitas, onde o nosso Grupo sempre estava presente, a exibição das danças do Minho foi efusivamente aplaudida pela assistência, sobretudo masculina, instalada nas primeiras filas, sentados no chão e no próprio palco.
Ficámos todos orgulhosos, mas qual não foi a desilusão quando fomos informados que o reforço dos aplausos das referidas filas eram dirigidas a uma das nossas dançadeirasque por esquecimento não vestira os “coullotes” (julgo ser assim que se chama).
É que naquela altura ver as cuequinhas a uma rapariga era FOGO!!!
Numa deslocação ao Algarve, para realizar alguns espectáculos, fomos instalados no Hotel Balaia.
No primeiro jantar e em virtude de sermos “doutores” de Coimbra , receberam-nos com toda a pompa e circunstância e o nosso primeiro jantar foi no Salão Principal do Hotel. Mas, o alrido, a irreverência e alguma pouca vergonha foi tanta, que nas refeições seguintes fomos instalados na sala dos pequenos almoços.
O que mais me ficou na memória foi a história do Coktail de marisco, de entrada, onde a figura destabilizadora foi o Monteverde que perguntava em voz alta se aquilo era para comer ou para beber.
Alguém mais se poderá lembrar de outros pormenores daquele jantar.
Será fácil imaginar a cara dos turistas presentes, a maioria “Velhotes” e estrangeiros.
Recordo também com saudade os ensaios do começo de ano, onde para ensinar os primeiros passos àqueles com menos jeito para a dança, servíamo-nos daquele “bico, bico-chão!!!”
É possível que nos nossos espectáculos tenham ocorridomuitos acontecimentos hilariantes, sobretudo na representação do “exame do meu menino” onde eu e o Pais Borges fazíamos de meninos e a Celeste, uma avó muito surda (conveniente para a piada política)
José Manuel Pintão Moreno Antunes
Médico no Hospital de Elvas
2003
sábado, 27 de junho de 2009
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Um comentário:
Caro amigo Pintão,
Fiquei surpreso quando vi o teu blogue. Claro que não te deverás lembrar de mim. Também, fiz parte da equipa que se deslocou a castelo Branco, era caloiro na altura e tocava acordeão na tocata com o Normando. Sou o fernando Costa e, inclusivamente, cheguei a pertencer a uma direcção do GEFAC. Bons momentos e boas amizades que fizemos. Quero deixar um abraço eterno. Que pode ser extensivo a todos aqueles que encontrares desse tempo.
Fernando Costa
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